Reflexões: Weeaboos e Koreaboos | Apropriação Cultural


Saudações Unicórnios!

Hoje trago um post um pouco mais sério, não sei bem se é uma opinião, porque não tenho uma opinião bem formada sobre isto, sendo que, pelo título já devem saber que é um assunto controverso e, por vezes, confuso, mas eu gostava muito de saber o que acham e vamos considerar isto uma mera reflexão sobre o assunto, portanto sem mais demoras, passaremos ao que interessa.

O que são Weeaboos / Koreaboos?

Um Weeaboo é uma pessoa que fica tão obcecada com a cultura japonesa que começa a agir como se fosse japonesa tendo como base um estereótipo (falar em japonês no meio das frases, agir de uma maneira "kawaii" e, resumidamente, querer ser japonês a todo o custo). Um Koreaboo é basicamente a mesma coisa, mas o termo aplica-se à cultura coreana.


Como é que os Weeaboos e os Koreaboos se relacionam com apropriação cultural?

Os Weeaboos / Koreaboos agem de acordo com um estereótipo, o que é, obviamente, ofensivo. Era quase como se um Japonês ou um Coreano começasse a tentar agir como um Português ou um Brasileiro, por exemplo, começar a falar mais alto ou vestir roupas e usar acessórios tradicionalmente portugueses no dia-a-dia (trajes de folclore, brincos portugueses, etc.) ou usar roupas dos desfiles de Carnaval Brasileiros sem ser Carnaval, e sem estar num desfile de Carnaval no Brasil, ou começar a dizer palavras em português, sem sequer saber o seu contexto situacional ou histórico, aleatoriamente no meio das frases. Um encontro com alguém assim seria desconfortável para um Português ou para um Brasileiro, assim como um encontro com Weaaboos/Koreaboos é desconfortável para Japoneses/Coreanos.

Onde é que a apreciação acaba e a apropriação começa?

Querer aprender a língua, gostar de séries ou músicas do país e querer aprender sobre a cultura é apreciação cultural. Querer fazer completamente parte da cultura à força, esquecendo a sua própria cultura e agindo com base em estereótipos é apropriação cultural.

Mas aqui é onde muitas opiniões divergem.

Vamos dar o exemplo de um estrangeiro que foi passar férias ao Japão e quis frequentar um festival de Verão, é apropriação cultural se esse estrangeiro usar um traje tradicional apropriado para a ocasião? A minha resposta é não, mas se esse estrangeiro começasse a usar esse mesmo traje no seu país de origem num festival de Verão do seu país, onde esse traje não é usado, é apropriação cultural.

Outro exemplo, pessoas que gostam de moda coreana, não falo de trajes tradicionais, falo do estilo, roupa e maquilhagem que as pessoas usam no dia-a-dia. Estas pessoas gostam desse estilo, e aderem, mesmo estando no seu país de origem, isto é apropriação cultural? Eu diria que não, desde que não ajam como se fossem coreanas ou que se tentem parecer fisicamente (de corpo) com elas, sendo que isso pode ser ofensivo. Porque a moda é uma escolha pessoal e eu acredito que cada um deve usar o que quer, desde que, claro, não magoe ninguém.

Mais dois exemplos que uma colega minha mencionou e que eu acho que ajudam:

Máscaras: Nos países asiáticos em geral as pessoas têm o hábito de usar máscaras, pode ser por causa da poluição ou por causa de doenças. No ocidente as máscaras apenas são usadas no caso de se tratar de uma doença grave e altamente contagiosa (como a tuberculose pulmonar). Na Ásia, como o uso destas máscaras é frequente, muitas vezes vemos k-idols ou ícones da moda a usar máscaras um pouco diferentes das aborrecidas máscaras azuis descartáveis. E é mais especificamente dessas máscaras que eu estou a falar. Muitos consideram isto uma moda, e usam apenas pela estética, mesmo vivendo no ocidente. Isto é apropriação cultural, porque para além de não precisarem delas, não faz parte da nossa cultura usar uma máscara quando estamos simplesmente constipados (embora não fosse má ideia) ou por causa da poluição. Usar máscara por ter uma doença grave e altamente contagiosa é apenas ter senso comum e responsabilidade civil. Para saber mais sobre de onde surgiu o uso de máscaras na Ásia leiam este artigo (em inglês).

"Kimonos": A minha colega diz ter passado por uma loja de roupa e ter visto uma espécie de casacos demasiado semelhantes a kimonos, desde o formato aos padrões, tudo era igual a um kimono (na altura eu disse que não tinha visto, mas agora que me lembro acho que também os vi, e lembrando-me disso entendi melhor do que ela estava a falar). Isto é apropriação cultural? Sim, basicamente, o traje está a ser vendido para ser usado pela estética e no dia-a-dia, o que não é o propósito do kimono e está completamente fora de contexto cultural. Mas se se tratasse de um casaco feito, tendo como base uma inspiração em kimonos, mas não sendo um kimono, eu diria que é apreciação cultural.

"Não-Coreanos" em grupos de k-pop, é ou não é apropriação cultural?

Não tenho nada contra pessoas de outras etnias quererem entrar no mundo do k-pop com algumas condições:
  1. Devem treinar durante tanto tempo e mostrar tanta determinação quanto os outros;
  2. Que a companhia esteja sediada na Coreia do Sul;
  3. Que cantem em coreano e que saibam coreano;
  4. Que conheçam bem a cultura;
  5. Que façam audições exatamente como os outros fizeram.
Porque eu quero deixar uma coisa clara, aqui o problema não é só a apropriação cultural, é também a justiça. Várias pessoas têm aproveitado o facto de que o k-pop explodiu para ganhar atenção formando grupos, bandas ou apenas dizendo que querem ser k-idols, mas o problema disto é que estas pessoas não foram fazer audições, não foram suar lá para as companhias, não se sujeitaram às restrições que os k-idols se sujeitam todos os dias nem estão preparadas (a meu ver) para pagar o preço da fama no mundo do k-pop (sasaengs, críticas muito mais frequentes e rígidas do que no ocidente no que toca à beleza/aparência, trabalhar o dobro e durante muito mais tempo do que a maioria dos artistas ocidentais, ter muito pouca liberdade para dizer ou fazer o que se quer, etc.).

Vamos ser honestos, se o problema fosse a etnia a SM não estaria disposta a fazer audições globais (por exemplo na América Latina que é um lugar completamente diferente com pessoas completamente diferentes), mas também acho que koreaboos ou pessoas que não conheçam devidamente a cultura (ou seja, os extremos) não terão lugar na companhia. Acho que haver pessoas de várias etnias em grupos de k-pop pode ser tão natural quanto haver pessoas de várias etnias em bandas americanas, porque embora não esteja tão relacionado com fatores culturais como acontece nos EUA, é uma consequência da globalização. Estrangeiros em grupos de k-pop têm sido cada vez mais frequentes, a expansão gradual que este estilo de música tem visto nas últimas décadas partiu da Coreia do Sul, para a Ásia no geral e está, agora, a chegar ao ocidente. E a única coisa que peço é que não envergonhem as pessoas no ocidente ao tentarem passar por cima dos trainees, que se esforçam tanto para nos oferecerem entretenimento de qualidade, com o vosso "agora somos k-idols porque é isto que está na moda no momento e porque queremos", não acho justo nem correto, nem tudo é sobre o ocidente, deixem o oriente ter as coisas dele, e se querem fazer parte viagem para lá e trabalhem como os outros.

Agora vou deixar alguns vídeos em que me baseei para fazer este post (em inglês, lamento para quem não entende bem) e que me ajudaram a esclarecer a minha própria cabeça sobre o assunto:





O que acham sobe este assunto? Concordam? Discordam de alguma coisa? Digam nos comentários!

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