Fran Bow - Opinião | Review | Teorias (??) | Falhas (??) e Curiosidades

Saudações Unicórnios! Finalmente, depois de muito vício, passei o jogo Fran Bow (que comprei numa Sexta e acabei num Domingo) e agora venho aqui dar-vos a minha opinião sobre o jogo e se recomendo que o comprem ou não. Preparem-se para um testamento aqui, isto vai demorar XD

Eu já tinha referido o jogo nestes posts: www www

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Informações Básicas

Géneros

Este jogo está classificado como sendo: Terror psicológico, Indie, Point & Click e Aventura.

Sinopse

É sobre uma menina chamada Fran Bow que tinha uma vida feliz e um gatinho de estimação a que chamava de Mr. Midnight. Certo dia ela depara-se com o assassinato dos seus pais, e assustada, foge de casa com o seu gato mas acaba num manicómio e separada dele. O jogo começa aí, os objetivos de Fran são: fugir do manicómio, encontrar o seu gato e descobrir quem assassinou os seus pais.

Preço/Críticas

Custa aproximadamente 15€ na Steam (e se não fosse a porcaria do IVA era quase uns 3€ a menos, mas que fazer né). As críticas aparentam ser extremamente positivas e eu concordo. Para já posso dizer que esta vai ser uma análise maioritariamente positiva.

Tempo de Jogo

Penso que tem aproximadamente 7/8 horas de jogo (mas os achievements e as cartas colecionáveis que a Steam propõe achar dão muitas mais horas).

Achei esta fanart mesmo linda, parabéns ao criador(a) \o/ (www)

Opinião

Arte do Jogo

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Achei a arte do jogo muito adequada para o seu género, os desenhos são bem feitos e bonitos. Para além disso o estilo e o ambiente enfatizam a atmosfera surreal.


Jogabilidade

O jogo baseia-se em vários enigmas e quebra-cabeças, assim como na resolução do grande mistério que deu começo a toda aquela sucessão de acontecimentos na vida e na cabeça da Fran.
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Eu achei os quebra-cabeças fáceis e reparei que a chave para os solucionar é explorar e lembrar. É necessária muita exploração (e isto em duas realidades diferentes, uma normal e uma surreal [que acontece quando a Fran toma os comprimidos]) e ao mesmo tempo memorizar tudo o que está no ambiente, inclusive os detalhes mais pequenos.
Houve partes em que eu fiquei montes de tempo a "passear" porque não sabia bem o que fazer a seguir e isso aconteceu sempre porque não me estava a lembrar de algo.
Criatividade também é super importante neste jogo, o jogador tem de pensar como uma menina de 10/11 anos (porque é isso que a personagem principal é) e muitas das soluções para progredir no jogo requerem a combinação de objetos, engenhos meio "infantis" ou pensar em coisas que normalmente só acontecem em contos de fadas, não sei se me estou a fazer entender.

Conceito/História/Enredo

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Provavelmente muitos dirão que a história foi mal estruturada e confusa, mas para mim foi relativamente clara (nesta parte do post apenas vou falar do básico e depois vou dedicar uma parte só para teorias ou opiniões sobre o final com aviso prévio de spoilers claro).
Achei o conceito interessante, e o jogo dá-nos a conhecer diversas doenças psicológicas através de crianças que a Fran conhece no manicómio.
Há medida de a história avança os acontecimentos vão ficando cada vez mais "loucos" e começa a ficar confuso o facto de uma menina tão nova conseguir "ver" ou "imaginar" (vou deixar ao vosso critérios, sem spoilers aqui) coisas tão complexas e bizarras.
Mas é um jogo que, sem dúvida, deixa o jogador a pensar.

Banda Sonora

Gostei da banda sonora, achei-a característica, sei que quanto a isso não houve muitas críticas super positivas mas eu, pessoalmente, gostei imenso, muito adequada, bem encaixada com o ambiente e os acontecimentos (e até com os sentimentos da personagem por vezes).

Outros

Sei que muitos não repararam nesta falha, mas sim, eu achei uma falha histórica no jogo. Não estou a falar do enredo do jogo mas sim de história mesmo, aquela que se aprende na escola. Eu vou explicar:
Este print fui eu que tirei para vos mostrar o telefone com teclado.
No capítulo 4 (acho) o doutor Deern dá uns documentos à Fran (não direi o que são, seria spoiler) onde tem datas que dão a entender que o jogo se passa nas décadas de 1930-40, até aqui tudo bem! Mas, no último capítulo aparece um telefone fixo com teclado (daqueles antigos mas sabem do que estou a falar), agora a questão é a seguinte: nos anos 30-40 ACHO que esses telefones ainda não existiam (se sim, eram muito raros ainda), os telefones dessa época eram aqueles de rodinha (como o que aparece no início no manicómio (quando a Fran está prestes a escapar e tem de passar por uma enfermeira que está no balcão da receção, essa enfermeira estava a usar um desses).
Das duas uma: ou foi, de facto, uma falha; ou foi proposital (mas novamente não vou entrar em detalhes nesse aspeto porque poderia dar numa teoria certo?).

Aaawn que fanart fofinha do Palontras (www)
(O seguinte é apenas uma curiosidade, se não jogaram acho que não vos vai interessar muito, podem passar à frente se quiserem).

Também quero dizer, e isto é mais para os que jogaram, não é um spoiler mas, o Palontras, ou pelo menos o design dele, deixa-me a crer que foi inspirado num animal chamado Axolotl, ele é muito pouco conhecido (talvez porque está em vias de extinção) mas é uma criatura marinha (pesquisem no google e vão ver). A diferença entre o Palontras e um Axolotl de verdade é que, o Palontras voa e tem pêlo, e o Axolotl normal nada e não tem pêlo (é um anfíbio para ser mais específica).

Mais um print que eu tirei para vos mostrar.
Também gostei da referência à Alice no País das Maravilhas no último capítulo naquela foto que está no roupeiro da Fran em que está uma foto dela e de uma Alice que ela diz ser colega dela e que lhe contava histórias sobre um mundo maravilhoso que ela visitava. Deu a entender que o jogo teve inspirações nesse conto, gostei muito da referência mesmo.

Também não podia deixar de referir aqueles "mini-jogos" opcionais no fim de cada capítulo, achei-os muito criativos e não os passem à frente, são bem divertidos e dão-vos uns achievements ;p

Opinião Final (Spoilers!!)

Então eu estive a refletir sobre o jogo e apesar do final ser meio confuso eu tenho uma "teoria". Eu ainda não pesquisei teoria nenhuma na internet para esta ser a minha visão mais "pura" dos acontecimentos.

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Na verdade achei que o básico foi bem simples, a Tia Grace matou os pais da Fran, e ela (a Fran) fugiu juntamente com o seu gatinho da qual se separou e foi parar ao manicómio. A imprensa foi iludida para acreditar que a Fran tinha morrido para que ela pudesse ser escondida no Oswald Asylum e ninguém soubesse das experiências que estavam a ser feitas nas crianças.

A Fran fez parte dessa experiência tomando os comprimidos que seriam supostamente Duotine mas que na verdade tinham sido trocados por outra substância qualquer, o que é revelado logo no manicómio quando um menino com paranóia (acho que o nome dele era Phill) fechou a Fran no gabinete e ela foge pelas condutas do ar e cai numa cave, lá é possível descobrir-se (através de pistas dadas na ultrarealidade) que dentro de uma caixa que lá está, estão as provas de que lhe estava a ser dada a substância errada, essa caixa continha vários frascos e um documento. Mas voltando à "teoria".
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Como o doutor Deern disse no capítulo 4, estes comprimidos continham uma dose em excesso (de uma coisa qualquer que não me lembro o nome) que faziam a porta entre o consciente e o subconsciente abrir demasiado e é aí que as coisas agora podem variar para cada um.
Até aqui tudo que eu disse pode ser tido como um facto, mas a partir daqui as coisas começam a ficar mais complicadas.

Foi possível ver também que ela conseguia descobrir coisas da qual nunca poderia saber sem as devidas provas, mas que a ultrarealidade lhe permitia descobrir (como as informações sobre o doutor Deern ou do caso das gémeas Mia e Clara e até sobre a mãe e a tia dela que também eram gémeas).
Então o que o jogo podia estar a tentar transmitir era que o subconsciente pode ser mais que a simples profundidade da mente da pessoa mas que, como o Itward explicou podem existir realidades diferentes e o subconsciente pode ser uma porta de acesso para essas realidades, ou seja, o jogo podia estar a tentar abordar alguns dilemas da metafísica que ainda não estão ao nosso alcance.

Acredito que, apesar do final do jogo se passar numa atmosfera surreal, as revelações feitas aconteceram na realidade mas de uma perspetiva diferente, não se sabe em que espaço (provavelmente no manicómio) mas é possível que aquelas informações fossem de facto reais.

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Outras possibilidades que eu tenho em conta:


  • A morte real da Fran: É possível que os documentos que o doutor Deern deu à Fran no carro sejam reais, que ela tenha morrido congelada e tudo aquilo foi uma passagem para o céu. Por exemplo, nunca ouviram que pessoas que deixam assuntos pendentes ficam no purgatório ou tornam-se fantasmas, algo assim, isso pode ter acontecido à Fran e assim que ela solucionou o assassinato dos seus pais foi embora para Ithersta, que seria o equivalente ao céu, juntamente com o Mr. Midnight, o seu gato que também pode ter morrido (pois estava no caixão dela um esqueleto de gato), o Palontras (que pode ter sido inspirado em um Axolotl que ela possa ter visto em vida) e o Itward (que seria o amigo imaginário dela). Aqui também entra a "falha de referi" do telefone, a morte da Fran poderia explicar uma visão de algo que apenas existe no futuro, novamente, uma questão relacionada com metafísica.
  • Alucinações ou imaginação: Eu não estou muito convencida com esta mas, imaginemos que os pais da Fran foram de facto assassinados e que ela realmente ficou com um distúrbio mental, é possível que todas aquelas coisas bizarras que ela viu e passou sejam fruto da sua mente perturbada. Mas neste caso ponho uma questão: Como seria, uma menina de 10 anos, capaz de pensar em coisas que estivessem fora do alcance dela (a questão do telefone ainda não sei se foi de propósito ou não), será que é possível ela inventar ou alucinar até aquele ponto? Pessoalmente acho esta possibilidade estranha...
  • Coma: E estava agora a pensar, e se ela tivesse ficado em coma o tempo todo? Ninguém sabe bem o que acontece na mente das pessoas durante o coma, uns dizem que elas sonham, outros dizem que elas simplesmente estão apagadas, etc., mas e se ela tivesse sonhado tudo? No entanto há questões que se colocam novamente: Como ela poderia inventar ou sonhar com coisas assim sem mais nem menos? E como é que ela poderia possivelmente ter entrado em coma?
    AAAAAWWWWN >.< (www)

Fim dos spoilers


Bom, acho que é melhor acabar o "testamento" por aqui (aposto que 90% nem leu até aqui mas ok), eu gostava que me colocassem questões ou dúvidas sobre a(s) teoria(s), a primeira e a segunda que referi são as que mais apoio (a teoria e a primeira possibilidade que tenho em conta).
Se não jogaram digam aí o que acharam do jogo e se vão experimentar.

P.S.: Para aqueles que não costumam acompanhar youtubers que falam Inglês (porque da primeira vez que referi este jogo indiquei uma gameplay do Markiplier) o Alan também começou a jogar, então já têm umas gameplays em português.